Entrevista a Gonçalo Catarino, cofundador do Weddar

Quantas vezes já se deparou com um boletim meteorológico errado? Vê uma informação na televisão, online, etc. e confirma que a mesma está errada no primeiro olhar que lança pela janela. Ou mesmo saber como está o tempo num exato sítio? Pois bem, o Weddar vem colmatar essas informações, bastante generalizadas, que os satélites teimam em dar. Assim, com o Weddar conseguimos dizer que dum lado da nossa casa está sol, mas do outro já começou a chover e tudo de uma forma bastante simples e intuitiva.

Quisemos saber como surgiu esta ideia, qual o processo até a mesma estar finalizada, como tudo correu e mais uma série de coisas. Fica então a entrevista feita a Gonçalo Catarino, cofundador do Weddar.

Uma das categorias mais concorridas na App Store é sem dúvida a “Meteorologia”. Como surgiu a ideia para a criação do Weddar?
Como tantas outras histórias, o Weddar surgiu como uma solução para um problema que sempre tivemos onde moramos. O problema é que o serviço nacional de meteorologia dá informação muito generalizada para estas zonas especiais de microclima.

No meu caso em concreto, nas Caldas da Rainha, “sofremos” do chamado “Clima do Oeste”. Pode estar um tempo incrível no resto do país e aqui estar nublado e frio. Mesmo da cidade à praia mais próxima (Foz do Arelho) que dista apenas 8 km’s, o tempo pode estar completamente diferente. Saber concretamente como estava o tempo nas Caldas era um problema que me afetava frequentemente ainda mais quando estava a trabalhar em Lisboa e fazia a viagem Lisboa – Caldas de uma forma muito frequente.

Assim, e sendo que vivemos numa época onde as pessoas estão cada vez mais familiarizadas com comunidades online e a utilização de smartphones, surgiu a ideia de ter uma aplicação que permitisse às pessoas ajudarem-se umas às outras dizendo como sentem o tempo exatamente no sítio onde estão no momento.

Outra coisa que pesou foi o facto de as aplicações tradicionais darem informação de muito detalhada retirada das estações meteorológicas mas de pouca utilidade prática, no sentido que adicionam muito ruído em volta da informação essencial. Ninguém percebe a diferença entre 21ºC e 23ºC. Quando alguém nos pergunta como está o tempo, a maior parte do tempo, respondemos “Está bom, está mau, está a chover, etc.”. Nós queríamos dar “alma” à aplicação, queríamos torná-la humana, daí o “How does it feel?”.

O que pesou para a App Store ser a vossa primeira escolha ao invés do Google Play?
Nada de realmente estratégico, na altura não tínhamos recursos para lançar a versão para Android em simultâneo. O objetivo é ter o Weddar nas mãos do maior número de pessoas e ainda que eu pessoalmente use Apple, em termos de estratégia de mercado, o Weddar é, obviamente, agnóstico.

Quantas pessoas integram a equipa de desenvolvimento do Weddar? Ambos trabalham no desgin e na programação ou cada um tem as suas funções?
De momento, a equipa sou eu, orientando o design e estratégia de produto e tudo o mais não ligado a programação (ainda que também meta as mãos no código, sobretudo na aplicação iOS) e, a ajudar-me de forma não permanente, o Arturo Vergara em iOS, um jovem mexicano com um talento incrível e o nosso português Pedro Veloso em Android, que tenho também a sorte de ser outro talento e grande profissional.

Como correu o processo de submissão da aplicação?
No caso da Apple Store, correu da forma normal para a altura, nós tínhamos a versão Weddar 1.0 muito sólida, tínhamos passado por uma fase de testes muito intensiva e tínhamos quase certeza de que não teríamos problemas. A fase de aprovação durou 7 dias. Tenho informação que nos últimos meses esse tempo tem sido mais dilatado, chegando a duas semanas para 1ª aprovação.

Existe algum público alvo para a utilização da aplicação?
Não, como disse acima, o objetivo é que o serviço seja utilizado pelo maior número de pessoas. Quanto mais pessoas o utilizarem, mais útil ele se torna. Este problema de falta de informação meteorológica útil em locais menos centrais é um problema comum a milhões de pessoas, não faz sentido segmentar o serviço.

Onde é que o Weddar é desenvolvido? No conforto do lar? Numa garagem? Num escritório próprio?
Sendo que a equipa está espalhada entre Portugal e México e é feita sobretudo em Part-Time, o mais comum é ser em casa. No meu caso também no escritório, mas sou o que passa mais tempo embrenhado no crescimento do Weddar.

Para mim, a junção da simplicidade, usabilidade e design é o que tornam a aplicação atrativa. Quanto tempo demorou a pensar e esboçar tudo isso antes de partirem efetivamente para o desenvolvimento?
Muito obrigado, é uma das coisas que mais nos agrada ouvir em relação ao Weddar. Por incrível que pareça, os processos de criação do conceito de “How does it feel?” a marca e interface foram muito rápidos. Mesmo que se tenham acertado pormenores de usabilidade na fase de desenvolvimento, arrisco-me a dizer que esta 1ª fase não passou os 3-4 dias.

O Weddar tem espaço para evoluir com novas ideias, funcionalidades, etc.? Qual o próximo passo?
Sim, claro. E uma das coisas que mais me dói é tê-las pensadas desde o Weddar 1.0 e ainda não as ter conseguido lançar. Nós estamos a trabalhar de momento no Weddar 2.0, que consideramos um upgrade incrível ao serviço atual. Não quero estragar a surpresa mas posso dizer que existirá um redesign completo do interface e teremos finalmente a possibilidade de partilhar comentários e fotos das condições meteorológicas para além de outras que reforçarão o caráter social do serviço.

Já equacionaram adaptar a aplicação para iPad? Ou põem de parte essa opção?
Sim, de facto foi um assunto muito discutido ao início mas nós achamos que o iPad não tem um cariz verdadeiramente portátil. Ou melhor, o nosso objetivo é que as pessoas utilizem o Weddar fora de casa, é assim que se assegura uma melhor qualidade da informação meteorológica no serviço. Ainda que o iPad seja portátil e possa obviamente ser usado fora de casa, sabemos que ele é sobretudo usado dentro de casa.  Nós queremos focar-nos em aparelhos realmente portáteis, que acompanham as pessoas para todo o lado, hoje em dia esses aparelhos são os telemóveis, Quando saímos de casa o que nos lembramos é de levar carteira, chaves e telemóvel, quando o iPad e demais tablets preencherem esta frase, aí sim, é caso de pensar a sério num Weddar for iPad.

Existe algum modelo de negócio por trás de toda a simplicidade da aplicação?
Sim, temos vários modelos para rentabilização da aplicação mas é muito cedo para ver qual o melhor para meter em prática. De qualquer forma, já abrimos a Weddar Store, uma loja online com merchandise associado à marca, acessível em http://store.weddar.com. Não sendo nem de perto nem de longe uma parte essencial no que temos em mente para a rentabilização do serviço, já vai ajudando de uma forma sólida ao desenvolvimento do projeto e no aumento de reconhecimento offline da marca.

Depois do Weddar existem planos para uma nova aplicação?
Sim, o Weddar é um projeto da minha empresa 96 ’til Infinity, De momento, estão a correr mais 4 projetos, em diversas fases de desenvolvimento.

Obrigado pela disponibilidade e o desejo de sucesso em projetos futuros.
Eu é que agradeço a oportunidade Henrique.  Um grande abraço para vocês e para os leitores da iClub. (A Weddar Cloud também manda abraços 😉

Download: iTunes Store
Preço: Gratuito

Categoria: Meteorologia
Actualizado: 26 de Set de 2012
Versão: 1.8
Tamanho: 4.5 MB
Idiomas: Português, Inglês, Francês, Alemão, Italiano, Japonês, Coreano, Espanhol
Programador: GONCALO CATARINO © 2011, 96 Til Infinity, Lda.
Classificação de 4+

Requisitos: Compatível com iPhone, iPod touch e iPad. Requer o iOS 4.3 ou posterior. Esta app está optimizada para iPhone 5.

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